segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Metade

Oswaldo Montenegro

Composição: Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

domingo, 14 de agosto de 2011

Fino Coletivo

Coisas sobre ela








então
penso
você é sim capaz de amar apenas uma mulher
e tantas outras
milhoes de vezes
e amaria até que o amor te leve
amaria quantas vezes quisesse
quantas mulheres lhe fosse permitido
e seria só de uma, por vez, até que essa quisesse
e de outra
e poderia ser e uma só para o sempre e todos os sempres
se essa quisesse

Pertinho



E foi assim como quem não quer nada
Chegou bem devagarinho como que escolhendo o caminho
Não queria machucar as flores do canteiro
Mudou meu tudo
O que pensei
Quem amei
O que eu queria
Já não quero mais
Me deu sensações, isso nem você sabe
Pensamentos
Me levou pela mão, dentro de um nevoeiro e ainda fechei os olhos
Sabe o caminho do sol, a trilha da água
As flores que gosto e eu nem te falei delas


sabe apenas que quero você

Passado


Se um dia voltar a te ver
Não liga pra minha cara de assustada
Passa um filme em minha mente
Por algo que não vale nada

Vou passar batido
Fingir que nada aconteceu
Ficar sufocada em meu silencio
Por algo que já morreu

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Além da Terra, além do céu



Carlos Drummond de Andrade

Além da Terra, além do Céu, 
no trampolim do sem-fim das estrelas, 
no rastro dos astros, 
na magnólia das nebulosas. 
Além, muito além do sistema solar, 
até onde alcançam o pensamento e o coração, 
vamos! 
vamos conjugar 
o verbo fundamental essencial, 
o verbo transcendente, acima das gramáticas 
e do medo e da moeda e da política, 
o verbo sempreamar, 
o verbo pluriamar, 
razão de ser e de viver.


domingo, 7 de agosto de 2011

Ali


“As estrelas me acompanhavam
Eu pude ver enquanto me despedia da estrada que estava
O vento frio que me segurava enquanto caminhava por entre vendedores
Fazia-me lembrar de montes verdes
Ao olhar no horizonte enxergava lindos campos e meus sentimentos
Transmitiam aquele local
Ver do alto uma cidade inteira, tão pequena que cabia nos meus desejos de outrora
A música me levou a realidade
E quando dei por mim
Não estava lá”